sábado, janeiro 19, 2008

Deixando pegadas...

"Era um dia especial. Ambos o sabiam. Só ainda não tinham percebido o seu porquê.

Dirigiram-se para a praia, no fim de mais um dia de trabalho. Queriam estar ali. Queriam receber o que de mais puro existia na natureza. Queriam receber a calma do mar e a beleza do pôr do sol. Era Inverno, mas nem isso os demoveu. Já ali estavam. Não havia volta a dar. Ela caminhava de norte para sul e ele de sul para norte. Não se conheciam. Nunca se tinham cruzado. No entanto, estavam ali os dois. Naquele momento, naquela praia, a ver aquele pôr do sol. Sozinhos na imensidão do areal, sentiram-se tentados a falarem um com o outro.

Perguntou-lhe ele: - Olá. Que fazes aqui?

Ela respondeu: - Vim ver o pôr do sol... (Hesita!) Hum... E tu?

- Eu também. O stresse do dia - a - dia afasta-nos cada vez mais do que é essencial nesta vida.

Ela dispara: - O que é para ti essencial?

Ele estranha a pergunta mas responde: - O amor. A amizade. A fidelidade. Deus!

- E vens a uma praia buscar isso? Não o consegues encontrar no seio dos teus amigos, da tua família, no teu mundo pessoal?

- Consigo. Mas aqui tudo é mais fácil. Lá demoro demasiado tempo a perceber a importância dos gestos, de um olhar, a perceber certos sentimentos. Aqui não. Aqui tudo me vem com o vento. Tudo é claro. Tudo faz sentido. Sem colocarmos todas as entraves que a sociedade nos coloca. O politicamente correcto.

- Hum! Entendo. E sinto isso da mesma forma que tu sentes. Com toda essa elouquência. Mas seremos únicos? Porque é que existem tão poucas pessoas a pensar como nós?

- Não sei. Vamos molhar os pés?

- Bora lá! :)

Enquanto sentiam os pés a receber a água gelada do mar iam conversando. Sobre a vida, sobre o trabalho, sobre projecções futuras. Sentiam a necessidade de se conhecerem, de entrarem no mundo pessoal um do outro. Era inevitável.

A conversa durou e durou e a luz que existia era simplesmente da lua e das estrelas, a espelhar no mar. Só essa luz ainda os iluminava. Sentaram-se então na areia e continuaram a conversar. Apesar de ser Inverno, estava uma noite agradável. Continuaram a conhecer-se até que o sono chegou. Mas não queriam acabar com este momento. Adormeceram, juntos, apertando a mão um do outro.


Mal o sol nasceu, ela acordou. Olhou em sua volta e não viu ninguém. Não. Não poderia ser um sonho. Tudo foi real. Tinha de ser. Levantou-se e reparou no que estava escrito na areia.



"Não, não fui um sonho. Encontra-me. "


Ela sorriu. Acreditou. Procura... Espera encontrar. "

4 comentários:

Andreia disse...

que bonita história...

para mim o mar é tudo...

sentir akela brisa na pele, xeirar a maresia, sentir o tok da areia, ouvir o rebentar das ondas e o canto das gaivotas...

com ele sinto a tranquilidade e o desespero,a alegria e a tristeza,rio e xoro,converso e escuto,contemplo e deixom envolver, tenho paz e guerra, tenho vida e morte....

é como se toda a minha essencia brotasse dali...

passar horas a fio,reflectindo e ouvindo o que ele tem pra me dizer é maravilhoso...entao no inverno tem uma magia especial...

quantas confissoes n guarda ele, quantas lembranças tem guardado, quantas preses ouviu, quantas lagrima secou...


continua a procura de pistas pk um dia vais xegar ao tesouro...
no entanto n percas a magia de sonhar..pk sao os sonhos que nos alimentam a vida e os fazem ter forças para proseguir....

beijos e abraços

Hugo disse...

Este texto ilustra incrivelmente a maneira como pensamos, como agimos...ilustra o que fomos aprendendo na vida durante os ultimos tempos...

Eles estão errados...há mais gente a pensar como eles...o que me deixa contente...

Bjinhos

Nuwanda disse...

O por do sol....
O pôr-do-sol é um dom mágico que o dia nos dá. Embora muitas das vezes
não consigamos ver, ele esta lá. É como as estrelas, por vezes não as vemos mas
sabemos que elas estão lá. E como nesses dias que o dia nos esconde as melhores
coisas, por vezes nos também escondemos o nosso coração aos outros.
Estava eu à espera do autocarro, e veio-me à cabeça um excerto da peça de teatro
que representei há alguns tempos que dizia:
“Um dia amei, julguei que me amariam, mas não fui amado pela simples razão
que não o deveria ser... sentei-me ao sol e deixei que a luz me inundasse de alegria
e felicidade...”

Este texto escrevi-o 4 anos atraz e neste momento nao trocaria uma so palavra....

O MAR, uma mensidao de segredos, de lagrimas deixadas por tantas almas, um elemento carregado de emoçoes... um livro de vidas... o confecionário de tantas outras...

a imencidao que nos acalma, que nos faz chorar, rir...

Lugar magico, n so por toda aquela maravilha de combinaçoes, areia, agua maresia, mas tb tudo o que essas combinaçoes guardam no seu silencio, quantas vozes, quantos pensamentos, quantos gritos, quantos...

Um bjinho pa ti minha linda

GMDT

Filipe disse...

So te posso dizer:
Não foi um sonho...
Não me percas...
Porque já a muito que procuras-te e me encontras-te.
Beijo grande***