Há dias que sair de casa é um risco... para a humanidade! Há disparos e bombas cruzadas que assolam tudo e todos e acabamos por ferir ou por nos ferirmos... Por isso é que digo que não é defeito... é mesmo feitio!
Aqui a minha pessoa nunca foi apologista de paninhos quentes e incoerências. Se não sabem eu digo que tenho um feitio de merda, exigindo (secalhar!) demasiado de todos os que cruzam o meu caminho. Pois é meus caros... Temos pena! Eu só exijo o que tenho provas de que conseguem dar. Não sempre... mas nas alturas fulcrais.
Acabo por passar demasiadas horas a pensar no quanto posso estar a ser injusta mas se houve coisa que aprendi este ano foi a ser selectiva. Qualquer pessoa tem capacidade para fazer parte do meu mundo desde que seja minimamente segura, respeitadora e, ora lá está, coerente!
Eu aprecio a humildade, a inteligência e a boa disposição. Divirto-me com aquelas pessoas que me põem a rir do nada, aprecio as críticas ditadas nesta fase de humor, curto a paz. É difícil adaptarmo-nos e compreendermos o ponto de vista do outro mas, com jeitinho e determinação, tudo é possível, tudo é conseguido.
Somos adultos, não somos crianças. Não é por eu hoje ter uma discussão com alguém importante que amanhã essa pessoa deixa de o ser. Não é por nos contrariarem que estão contra nós e muito menos é por nos magoarem que queremos que desapareçam... O que falta muitas vezes é baixar o orgulho e encarar os problemas como situações normalíssimas que nos exigem uma maior luta.
Eu nunca tive medo de resolver as situações que me tiram o sono e muito menos tive medo de ouvir coisas que não queria. Aliás, até acho que não oiço o suficiente e por isso me tenho tornado um ser parado em termos evolutivos de personalidade.
Adoro críticas desde que lógicas e devidamente fundamentadas. Adoro que me mostrem outros pontos de vista para que não caia na tentação de julgar atitudes, reacções e indecisões. Mais não posso fazer.
Se sou um ser complexo? Sou. Sinto-me muitas vezes um alien nesta sociedade que teima em complicar tudo. Há quem não se consiga definir. Eu, no entanto, devo ser definida a mais e isso leva a que muita gente se assuste e ache que sou perfeita e sem margem para erros.
Então, e se me permitem, eu vou-vos esclarecer: lá por eu ser exigente, saber (muitas das vezes!) o que quero e tentar sempre optimizar aqueles que fazem parte do meu mundo, sou um ser que está fartinho de fazer merda, que se tem, ao mesmo tempo, desiludido e orgulhado do seu ser e que tem dúvidas e crises constantes. Só que, da mesma forma que não quero afectar os outros com estes meus altos e baixos, tento que façam o mesmo comigo.
Eu sou excessivamente impulsiva mas luto diariamente para que esses níveis diminuam. Tenho noção que me excedo nos limites propostos a mim mesma mas tento sempre não afectar aquelas decisões e determinações com que sou presenteada. É tudo uma questão de gestão de riscos interna. Acabo por nem sempre conseguir e, por vezes, caio na tentação de me tornar agressiva e até arrogante, como mecanismo de defesa. Só que, mais cedo ou mais tarde, caio em mim e reconheço o erro... da atitude! Só mesmo da atitude, até porque pensando 300% em tudo o que digo, acabo por poucas vezes me arrepender das palavras proferidas...
Continuo a dizer que não é defeito... é mesmo feitio! (hoje é dia de revolta, desculpem lá!)